23/03/2008 23:58
Sei quando algo falta na vida. E isso dói. Descobri hoje que não passo de um troféu. Sempre fui Loira, olhos azuis, corpo esguio, com curvas marcadas no lugar certo, pequenos seios delicados como de uma mocinha, pele macia, lábios carnudos. Essas são minhas características até uns poucos meses atrás. Hoje, não sou mais tão esguia, tenho um 'algo mais', mas nada que possa me classificar como gorda. 1,69m, 60kg, manequim 40. Não sou a Barbie, como já me disseram parecer, mas ainda sou atraente. Do alto dos meus 30 anos, não possuo rugas, cabelos brancos e nada que condene minha idade. Este ano faço 31, e nunca estive tão bem. Me visto de forma a valorizar meu físico, sem vulgarizar. Porque estou escrevendo isso? Porque descobri que meu marido não me vê como mais que um pedaço de carne. Me exibiu muitas vezes, como aíás muitos o fizeram. Já ganhei concursos de beleza, fiz fotos pra Playboy, trabalhei como modelo fotográfico, eles adoravam isso. No início me enchia essa mania dos homens de me exibirem ou me disputarem entre eles. Então resolvi aprimorar meu intelecto. Leio muito, sobre tudo, ouço rádios de notícias, pesquiso na Internet assuntos diversos, estudo o quanto posso. Falo inglês assassinando o idioma e leio espanhol, falando mal, mas me arranjo. Só não me saio melhor por pura falta de dinheiro pra continuar nos cursos. Entendo um pouco de tudo, existem poucos assuntos onde não conheço nada, e mesmo assim, o que importa ao homem com quem me casei é minha aparência. Disse pra mim que não estou gorda, mas que tem medo que eu fique, e por isso não tem vontade de estar comigo como mulher, de ser meu marido na cama. Fiquei muito magoada. Mais uma vez na vida, não ou mais que um mero objeto que no momento não está em condições de ser usado.
As pessoas sempre me criticam por gostar tanto de anime. Eu explico: uma pessoa que tem a vida como a minha nunca deveria encará-la de frente, o melhor é fugir da realidade e entrar de cabeça na fantasia. Vejo Sailormoon e choro de emoção com o amor dela e do Mamoru. Lindo, eles percebem o quanto são importantes, o que quer dizer amar. Eu não consigo entender como na vida real as pessoas são capazer de dizer que amam a outra, e por causa de mudanças puramente estéticas deixarem de desejar. Não existe razão além, da única que pensei: Não era amor, era atração física.
Quando disse que sabia quando falta algo, me referia a isso. Meu casamento é tão superficial porque falta uma coisa essencial: amor. A verdade dói muito, mas é preciso dizê-la: Ele nunca me amou, sempre gostou do que via no meu exterior, mas nunca me amou de verdade. Por isso é que tantas coisas acontecem sem que eu entendesse. Quem ama não faz isso. Estamos vivendo como irmãos que não se dão bem, porque sexo nesta casa só mesmo quando eu forço a barra. E assim não quero mais, está acabando com minha auto estima. Me olho no espelho e vejo uma beleza agradável, olho pra dentro de mim e vejo um campo minado, com todas as minas estouradas, pedaços de corpos espalhados, alguns cobertos de sangue, outros putrefatos. Nada bonita a visão que tenho. Duro mesmo é encarar minha família, ultimamente até eles têm sido difíceis de conviver, não posso contar a verdade da minha vida, nem pra eles nem pra ninguém, estou a PONTO DE ARREBENTAR, mas não há nada que possa fazer agora. Vou realmente abrir mão de mim? Não sei, nada faz muito sentido.
E pra completare, minha sogra cismou que a estou perseguindo, enche minha paciência querendo dar lições de moral em mim. Acha que meu mundo gira em torno dela, que tudo o que falo é pra atacar, mas Deus sabe que não. Eu não gosto de provocar ninguém, então vou dar o fora. Não frequento mais a família dele, estou de saco cheio de ter que pensar um milhão de vezes antes de falar com eles, umas pessoas cheias de pudores e formalidades, que ao meu ver só servem para manter as aparências e magoar pessoas. Cresci no meio de pobres e simplórias pessoas, não sou assim, humilde e modesta, mas também não sou cehia de frecuras. A espontaneidade é minha maior qualidade, mas ninguém dá valor a isso, e torna-se meu maior defeito. Não aguento mais viver assim, mas não sei o que fazer.
Por enquanto, enquanto decido, vou entrar de sola nos animes, fanfics, seriados de TV, livros... tudo o que puder afastar minha realidade. E fazer morrer minha sexualidade junto, porque é o que está acontecendo. Sabe de uma coisa? Vou voltar ao meu corpo de modelo, e aí, quem não vai querer sou eu.
Hoje será um marco em minha vida, será o dia onde enterrei aquela mulher sensual que sempre fui e fiz nascer uma frígida. Ou pelo menos fria. Gelada.
Não serei usada, especialmente quando descubro que a única coisa que faz-me ser deseada é o meu corpo. Isso é muito fútil, tanto quanto quando ele disse que se separaria de mim porque quebro muitos copos.
O mais enraça é que o amo demais, e não sei como contornar esta situação.
enviada por sereia
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